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História de Salvador

   

A historia da cidade começa antes mesmo do descobrimento do Brasil, quando a terra ainda era habitada por índios tupinambás – que chamavam o local que anos à frente seria Salvador, de Kirymuré Paraguaçu. Após a chegada dos portugueses ao sul da Bahia em 22 de abril de 1500, dados históricos que relatam a chegada de um outro europeu na Baía de Todos os Santos: o piloto florentino Américo Vespucci que veio em uma expedição por volta de 1° de novembro em 1501. A costa da Baia de Todos os Santos continuou sendo visitada por diversas embarcações que iam para a Índia. Aqui os viajantes limpavam, vistoriavam e abasteciam os navios de mantimentos frescos.

Entre 1510 e 1511 um navio naufragou na costa de Salvador e desse acidente, apareceu na praia do Rio Vermelho o jovem português Diogo Álvares Correia, foi acolhido pelos índios e apelidado de “Caramuru” (enguia ou cobra do mar na língua dos índios). A origem desse apelido se deve ao fato de Diogo Álvares ter saído do mar enrolado em algas e das pedras que servem de habitat das enguias. Em 1530 chegou à Bahia Martin Afonso de Sousa com o título de capitão-mor e a incumbência de ser o governador do Brasil. Ao aportar na baía de Todos os Santos, a esquadra do novo governador teve a ajuda de Diogo Álvares – que já habituado e querido entre os índios - lhes deu informações sobre a terra e seu povo. O sistema de colonização e povoamento do Brasil, feito por dom João III, dividiu o território em Capitanias Hereditárias, e coube a Francisco Pereira Coutinho administrar a Capitania da Bahia de Todos os Santos, a partir de 1534. Após o falecimento do donatário da capitania e a criação do Regimento que reafirmava a soberania da Coroa Portuguesa sobre sua colônia, a Capitania da Bahia de Todos os Santos foi comprada. E depois de alguns meses de construção e reformas, foi fundada em 1549 a primeira capital do Brasil e sede do governo-geral: a cidade de Salvador, que foi a sede administrativa até o século XVIII, quando a capital foi transferida para o Rio de Janeiro.

Com o primeiro governador - Martin Afonso de Sousa - vieram colonos, a quem foram doadas terras para a criação de fazendas. Aqui se estabeleceram engenhos de açúcar e criações de gado, até então desconhecidos entre os primeiros habitantes. Os primeiros escravos africanos, as primeiras mulheres e um grupo de jesuítas também vieram durante o governo de Tomé de Sousa. Aos jesuítas ficou a obrigação de catequizar e impor a cultura européia aos índios. O segundo governador-geral da capitania foi Duarte da Costa, que entre centenas de pessoas trouxe o jesuíta José de Anchieta. Em seguida, o terceiro governador-geral nomeado é Mem de Sá que fica no poder até 1572. A cidade de Salvador crescia na condição de cidade-fortaleza e centro administrativo, passando a ter dois planos: a Cidade Baixa – que era o local de moradia da população - e a Cidade Alta – que abrigava o comércio da capital. Mas as riquezas existentes na capitania, sobretudo a facilidade da entrada de uma esquadra inteira na sua baía – apesar de ostentar fortes e baluartes – fez Salvador ser invadida diversas vezes por Holandeses. No ano de 1763, a capital do país foi transferida para a cidade do Rio de Janeiro. E em 1806, Napoleão Bonaparte decretou a proibição de qualquer intercâmbio e comércio com a Inglaterra – o “bloqueio continental”. E logo em seguida Portugal seria invadida e a família Bragança perderia o trono. Prevendo um possível ataque francês, os portugueses assinaram um convênio com Londres de que iriam se transferir o governo para o Brasil. Após serem separadas por uma tempestade, partes da esquadra portuguesa seguiu para o Rio de Janeiro e a outra parte aportou em Salvador em 22 de janeiro de 1808. A passagem da família real portuguesa por Salvador foi de grande importância. Dom João decidiu que seria criada a Escola Médico-Cirúrgica – a primeira faculdade de Medicina do Brasil. Mas mesmo com a vinda do governo português para o país e suas criações, o sistema continuou centralizado, burocrático e repressivo.

As mudanças ocorridas em Salvador após 1808 foram percebidas ao longo das visitas freqüentes de estrangeiros. Mas depois da Revolução de Pernambuco em 1817 e com a vinda de alguns presos políticos para a cidade, começou a se despertar o sentimento de independência em relação à Coroa Portuguesa. As reais manifestações para a independência do Brasil aqui na Bahia começaram em 1821. E apesar de Dom Pedro em 7 de setembro de 1822 ter declarado a independência da colônia, é o 2 julho de 1823 a data histórica que consolidou a separação política Portugal-Brasil. Os baianos comemoram a entrada do Exército Pacificador na cidade de Salvador e sua vitória sobre as tropas portuguesas. Até hoje, a Independência da Bahia é comemorada e são muitos os homenageados, entre eles o general Labatut (que chegou a participar do desfile de comemoração em 1849), além dos heróis anônimos (a figura do caboclo e da cabocla) e conhecidos como Maria Quitéria que é considerada a maior heroína na batalha do 2 de julho.

Após a independência a Bahia começou um período de evolução no que diz respeito à educação. Em Salvador foram criadas diversas escolas, a primeira a funcionar foi a Escola Normal em 1842, mas era delegada à aristocracia. E com a mudança da relação trabalhista, que passava do trabalhador escravo para o assalariado ou semi-escravo, viu-se a necessidade da criação de escolas primárias que formassem essas pessoas. A expansão da população de Salvador começou a exigir que os serviços públicos melhorassem. Em 1862, começou a existir iluminação a gás na cidade. E em 1871 foi inaugurada a primeira agência de comunicação a cabo submarino.

Uma inovação no transporte urbano veio através do engenheiro baiano Antônio de Lacerda: um sistema hidráulico que faria o transporte de pessoas da Cidade Alta para a Cidade Baixa. A construção desse elevador teve inicio em 1869, foi inaugurada em 1873 e em 1896 foi batizado de Elevador Lacerda. Através da Companhia de Transportes Urbanos, Antônio Lacerda trouxe para a capital baiana diversos bondes movidos à tração animal que ligavam os bairros da Piedade e da Graça, na Cidade Alta. Nos anos de 1907 e 1930, o Elevador Lacerda sofreu importantes reformas, inclusive a sua eletrificação e reforma estrutural.

Salvador possui entre outros acontecimentos marcantes, a descoberta do primeiro poço de petróleo brasileiro na década de 1940 feita pelo engenheiro Manuel Inácio Bastos. O local dessa descoberta foi o bairro do Lobato, no subúrbio. A base econômica da Bahia até o inicio da década de 1950 se baseava na produção agrícola, destacando-se a produção de cacau.

Porém, o advento da industrialização do país e da Bahia impulsionaram o crescimento populacional e econômico. A instalação da Refinaria Landulfo Alves e do Centro Industrial de Aratu, na década de 1960, e a criação do Pólo Petroquímico, na década de 1970, foram os principais fatos que levaram à urbanização da cidade de Salvador e do setor terciário, entre eles o Turismo. E é com essa visão empreendedora que diversas cidades da Bahia começaram no final da década de 70 expandir seu potencial turístico. Hoje Salvador é considerada um dos principais destinos do Brasil, sendo o turismo uma das principais atividades da sua economia.

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